When moms work far an away




One of these days, Paula Carminé, a follower of this blog, sent me the following message and with her permission I am publishing it. Read to find out why.

'Dear Sonia,

I am contacting you, because a few days ago I read a chronicle written by you on "UP TO LISBON KIDS" and then I went on exploring your blog and Facebook page, and I was delighted with its chronicles. Because as you, I'm single mother, I have a 9 year old daughter and I work abroad. These were the coincidences and empathy I felt when I read your articles which led me to write you this message. I felt that, apart from me, there are so many other warriors mothers, and I would like to share with you my own experience.


In our case, Vera's father (that's my daughter's name) left when she was not yet two years old. In fact what happened was that we split off, and he separated from his daughter too. Since then, she is my world and I her world, we have such a close relationship, as if she was all the time in my belly, but on the outside (by the way I loved the blog's name "Amniótico" which suggests a link so tight and since ever). So I'm alone with her (of course with the support of my parents, some relatives and close friends) and I am responsible to provide her with the best, well-being, health, education, ... but it turns out that in 2012, I was out of work in Portugal and with a job proposal to leave the country.


By the way, I'm an engineering geologist, and I work in large projects such as tunnels. The proposal to work abroad was discussed between the two of us (at the time Vera was only seven years old, but we always talked like grown-ups and although we had the understanding that would be a challenge and hard for both of us, we realized it would be the best, albeit temporary). Eventually, it transformed our day-to-day completely.


December 1st, 2012 I came to Algeria (Annaba), I left behind the possible logistics (with the full support of my parents, who moved to my house, since it is a 5 minute walk from Vera's school on the one hand, and on the other, so as not to greatly alter her routines). I would be away 3 weeks, returning for Christmas and the beginning of the year. After this initial period, the returns to Portugal were every two months.


Initially it was difficult, difficulties in communications, missing her so much, the adjustment to the new reality, but as time went on we learned that even though we are far apart, actually we're together, every second, in the heart and in our permanent thoughts. So in the meantime, we come to rediscover ourselves and we already have so many experiences together in the distance, now I have no doubt that this will mark our lives forever, Vera is growing so fast, and it has been transformed into a special being, more responsible and mature than children of her age, excellent student and happy, sometimes I think that this can only be a miracle.

Grateful for your attention.

A Mother to Mother embrace,

Paula '




While reading the message, I felt immediately an obvious connection with Paula. Like me she is a single mother, but as I, she has embraced the project to become a mother with her soul and with a lot of heart. I confess, tears came down my face. We both embrace projects that take us away from our daughters, in the case of Paula and many other mothers, for prolonged periods than myself. Making the decision to above all, ensure that our children will never lack anything and to provide a healthy and happy life. A decision that many mothers have taken in recent years taken for professional reasons, in the imperative form such are the needs of families today, especially of single parents.


As I and Francisca, Paula and Vera have an amniotic relationship dominated by love and complicity. Decisions are taken by two, and we talk about everything honestly and without the infantilization of reality. It's not easy being away from those we love most in this life, but the way we compensate this absence is made essentially of moments. Real moments that are not just for the perfect picture, but moments made of unique and unrepeatable complicity.


In my case, I feel some guilt because I love what I do and I went for my dream. I didn't felt pushed. On the agenda, there are never projects longer than two months, and if possible where I can take Francisca along. It happened a few times from since she was three years old and thus she already knows a piece of the earth ... However long-term is more difficult because over time I've become good at what I do in risky countries and within precarious situations. Good adaptation to stress bla bla bla. Result: I am increasingly called in to situations where I can not take my small family with me. It is not easy and sometimes I get fed up and say enough is enough! ... I want to be with her ALL the time and want her to see the world, with me! But field work calls ... and when I'm in countries as in Africa, for example, the color of that soil, the smells, the smiles, the adrenaline ... but it's her, that beautiful little person who is my highest calling. For her, I do everything, and I am everything. Even if sometimes I have to get away for a little bit ... on the other hand, like Paula, when I'm with Francisca, I am with her 100%.


For years, many people questioned my life choices. As if, I and these mothers, were eccentric, or just 'crazy' just because our lifestyle is different. The truth is that at 9 years old, Francisca has creased qualities for their age. Empathy and understanding for the things of life, sees the difference in the other naturally, and embraces the new and the unknown. She knows that nothing falls from the sky, and she knows that now at this precise moment in the Central African Republic, there is a conflict that many call a slow genocide. She has a general culture above average, and yes she knows what a genocide is. She also knows that life is sometimes strange, but we must see things always on the bright side. And that in the end, we are together and we are well.


Da Francisca num dia qualquer | Francisca to mom on any given day
|Quando as mães trabalham longe |

Um dia destes a querida Paula Carminé, uma seguidora deste blog, enviou-me a seguinte mensagem e com a sua autorizção estou a publica-la. Leiam para saber porquê.

'Olá Sónia,

estou a contacta-la, pois alguns dias atrás tomei conhecimento de uma crónica escrita pela Sónia através da “UP TO LISBON KIDS” e logo fui explorar o seu blogue e a página do Facebook, e não é que me deliciei com as suas crónicas, pois tal como a Sónia sou mãe solteira, tenho uma filha de 9 anos e trabalho fora do país. Foram estas coincidências e a empatia que senti ao ler os seus artigos que me levaram a escrever-lhe, pois senti que, para além de mim, há tantas outras mães guerreiras, e fiquei com vontade de partilhar a minha experiência.

No nosso caso, o pai da Vera (é assim que se chama a minha filha) partiu ela ainda não tinha completado 2 anos, na realidade o que aconteceu é que nos separamos e ele também se separou da filha. Desde então ela é o meu mundo e eu o mundo dela, temos uma relação tão próxima, como se ela estivesse o tempo todo na minha barriga, mas no exterior (já agora adorei o nome do blogue “Amniótico” que sugere uma ligação tão próxima e ao mesmo tempo desde sempre). Por isso estou só ao lado dela (claro com o apoio dos meus pais, alguns familiares e amigos) e responsável para lhe proporcionar o melhor, no bem-estar, na saúde, na educação, … acontece que em 2012 me deparei com a situação de não ter trabalho em Portugal e a proposta era ir para fora.

Já agora, sou geóloga de engenharia, e trabalho em obras de grande dimensão, como túneis, a proposta de trabalhar fora do país foi discutida entre as duas (na altura a Vera só tinha 7 anos, mas sempre falamos como gente crescida e embora tivéssemos a percepção de que seria um grande desafio e duro para ambas, percebemos que seria o melhor, mas temporariamente) e acabou por transformar o nosso dia-a-dia completamente.

A 1 de Dezembro de 2012 chego à Argélia (Annaba), para trás ficou a logística possível (com o apoio incondicional dos meus pais, que se mudaram-se para minha casa, uma vez que que fica a 5 minutos a pé do colégio da Vera, por um lado, e por outro, de forma a não alterar muito as rotinas dela), onde fico 3 semanas, regressando para passar o Natal e o início do ano. Depois deste período os regressos a Portugal passam a ser de 2 em 2 meses.


Inicialmente foi difícil, as dificuldades nas comunicações, as saudades uma da outra, o ajustamento à nova realidade, mas à medida que o tempo foi passando fomos aprendendo que apesar de estarmos longe uma da outra, efectivamente estamos juntas, a cada segundo, no coração e em pensamento. Assim fomo-nos redescobrindo e já contamos tantas experiências juntas à distância, hoje não tenho dúvidas que esta situação marcará as nossas vidas para sempre, a Vera a cada dia que passa cresce, e tem-se transformado num ser especial, mais responsável e madura do que as crianças da idade dela, excelente aluna e feliz, às vezes penso que só pode ser um milagre.
Grata pela atenção dispensada. Um abraço, de Mãe para Mãe,
Paula'

Ao ler a mensagem, senti de imediato uma óbvia ligação com a Paula, que tal como eu é mãe solteira, mas tal como eu abraçou o projecto de ser mãe de alma e muito coração. Confesso que me vieram as lágrimas aos olhos. Ambas abraçamos projectos que nos levam para longe das nossas filhas, no caso da Paula e de muitas outras mães, por periodos bem mais prolongados do que eu. Tomar a decisão de acima de tudo garantir que os filhos nunca irão sentir falta de nada para terem uma vida saudável e feliz. Uma decisão, que muitas mães têm nos últimos anos tomado por motivos profissionais, de forma imperativa tal são as necessidades das famílias actualmente, principalmente as monoparentais.



Tal como eu e a Francisca, a Paula e a Vera têm uma relação Amniótica onde impera o amor e a cumplicidade. As decisões são tomadas a duas, e fala-se sobre tudo de forma honesta e sem infatilizar a realidade. Não é fácil estar longe de quem mais amamos nesta vida, mas a forma como compensamos essa ausência é feito essêncialmente de momentos. Momentos reais, que não são momentos para a fotografia, mas momentos a duas de muita cumplicidade únicos e irrepetiveis.

No meu caso, eu sinto alguma culpa pois amo o que faço e fui para longe muita vezes seguindo o meu sonho. Não me senti empurrada. Na agenda nunca estão projectos mais longos que dois meses, e se possível que possa levar a Francisca. Já aconteceu, algumas vezes desde o três anos e assim já conheceu um pedaço de terra... No entanto a longo termo é mais dificil, pois com o tempo tornei-me boa naquilo que faço em países de risco e situações preclitantes. Boa adaptação ao stress bla bla bla. Resultado: cada vez mais me chamam para situações onde não posso levar a minha pequena família. Não é fácil e por vezes fico farta, e digo chega!...quero estar TODO o tempo com ela e quero que conheça o mundo, comigo! Mas o terreno chama muitas vezes...e quando estou em países em Àfrica, por exemplo, a cor da terra, os cheiros, os sorrisos, a adrenalina... Mas é ela, aquela pessoinha linda que é o meu maior chamado. Por ela faço tudo, e sou tudo. Mesmo que às vezes tenha que me afastar por um bocadinho...por outro lado, tal como a Paula, quando estou com a Francisca só estou com ela a 100%.

Neste anos, muitas pessoas questionam esta minha escolha de vida. Como se eu e estas mães, fossemos excêntricas, ou umas 'grandes malucas' só porque o nosso estilo de vida é diferente. A verdade é que com 9 anos, a Francisca tem qualidades vincadas para a sua idade. Uma empatia e compreensão para as coisas da vida, vê a diferença nos outros com naturalidade e abraça o novo e desconhecido. Sabe que nada cai do céu, e que agora neste preciso momento na República Centro Africana, existe um conflicto que muitos chamam de um lento genocidio. Tem uma cultura geral acima da média, e sim sabe o que é um genocidio. Também sabe que a vida é por vezes estranha, mas há que ver as coisas sempre do lado positivo. E que no final, estamos juntas e estamos bem.

*Originally posted on 05/05/2015

Top photo De Vera para a mamã. Podemos estar afastadas mas felizes' | 'From Vera to Mommy. We may be far away, but we are happy.'

Sónia Pereira de Figueiredo

Sónia is the founder and writer of Amniotico- Parenting, Travel and Tales. She began this blog in 2005 with two posts about parenting, the year she had daughter Francisca. Then life happened. Now since 2014 with a whole new focus on Parenting and Travel. Sonia is also an international Human Rights and Elections expert and as such has worked with the United Nations and European Union in many parts of the globe, including conflict and war torn countries while being a single mom!

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