The most important trip. the impact


|A viagem mais importante: o impacto|

Ver a minha filha encontrar o pai pela primeira vez, mexeu comigo mas de uma forma que não tinha antecipado. Foi a primeira vez que a partilhei, foi a primeira vez que ouvi-a chamar o pai de pai na sua inocência e naturalidade. Foi também a primeira vez que a partilhei com toda uma familia de avós, tios, tias e primos para além 'dos meus'. A forma natural, com que logo de inicio lidou com todas a novidades do encontro, deixou-me preplexa e orgulhosa. 

Fiquei  obviamente feliz e vibrei com ela todas as emoções do encontro, mas o meu reencontro com o pai da minha filha teve outro impacto. Reencontrar alguém com o qual não tinha antecipado ter nenhuma ligação nesta vida, mas que o destino encarregara de criar a mais importante ligação, um filho, não foi fácil de engolir.

As coisas são assim, e a vida tem destas coisas que muitas vezes não conseguimos explicar, mas a verdade é que fui reencontrar um homem que pouco evoluiu, que ficou congelado no tempo, que não cresceu. Para um homem que nunca foi pai nem nunca teve nenhuma responsabilidade. não é fácil derrepente ser pai e fazer todas as coisas que é suposto fazer quando se é pai. Mas também não é isso que se espera após nove anos, e em dezasseis dias. 


Senti vergonha, e queria  mesmo pedir desculpa à minha filha pelas minhas escolhas, por este pai. Senti e fui confrontada com o que nunca tinha sido desde que fui mãe, e queria que ela compreendesse tudo. Que me perdoasse, e que me visse como sou e sempre fui, a sua mãe, e que nada pudesse mudar isso. Parei, e respirei fundo, Estava a hiperventilar.

Este nosso reencontro 'forçado' pela paternidade após nove anos, apesar das minha altas expectativas não poderia ser pacifico. Fui de coração aberto mas havia muita divida a saldar, muita conversa a ter, muita coisa a esclarecer. Muita comunicação, eu tinha muito a dizer e muito a ouvir. Enquanto a nossa (primeira vez também) filha vivia o momento e absorvia tudo, familia, surf, praia, sol, nós falamos, gritamos (longe da filha claro!), esclarecemos e concordamos que temos a melhor filha do mundo e que há um caminho novo a percorrer, juntos e amigos. Mas não é fácil, como é possivel imaginar.

Estava a sentir e a viver tudo tudo aquilo que refutara desde que decidi ser mãe, Rancor, desdém e alguma soberba por desde o momento zero ter estado lá e ele não. Observava-o e pensava em como poderia eu ter escolhido este pai para a minha filha? Mas não é esta uma pergunta que tantas mães e pais fazem, quando se separam, quando se incompatibilizam com o outro progenitor? Mas a verdade é que não tivesse sido essa a nossa escolha, numa determinada altura das nossas vidas, nunca teriamos conhecido as pessoas mais importantes que algum vez vamos encontrar, os nossos filhos. Não fosse aquele preciso momento no tempo, aquele encontro quase predestinado com alguém assim, exactamente assim, onde estariam estas crianças? Estas mesmas crianças, feitas desta mistura precisa tão particular e tão perfeita. Quem seriamos nós? Não gosto nem de imaginar...

Engoli o orgulho, afinal também eu fiz uma escolha consciente e que agora derrepente na minha ilusão queria que ele fosse perfeito, sem falhas ou máculas para com ela. Olhei para a nossa filha e estava feliz, não estava mais feliz, estava simplesmente feliz na sua inocência pela nova adição à sua vida. Agora sabe de onde vem o cabelo grosso e indomável, que tem também algures nas sua árvore geneológica um avô índio da Amazónia que casara com uma avó Alemã numa altura em que os casamentos mistos eram olhados de lado, entre tantas outras histórias que vieram acrescentar côr à sua vida. Esta é parte da sua história, e ambos lhe deviamos isto. Ambos.

Eu senti-me validada, que apesar das minhas inúmeras dúvidas, não falhei pelo menos no essêncial. Criei uma criança porreira. Que mais posso pedir? Sejamos felizes, todos.

Sónia Pereira de Figueiredo

Sónia is the founder and writer of Amniotico- Parenting, Travel and Tales. She began this blog in 2005 with two posts about parenting, the year she had daughter Francisca. Then life happened. Now since 2014 with a whole new focus on Parenting and Travel. Sonia is also an international Human Rights and Elections expert and as such has worked with the United Nations and European Union in many parts of the globe, including conflict and war torn countries while being a single mom!

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